domingo, 23 de agosto de 2009

Ouvira estrelas.

Não consigo, mais, ouvir estrelas, a glória de meus tempos áureos se fora e nem ao menos consigo mais buscá-la. Eis aqui mais um poema triste, que nem sequer pode ser chamado de poema, tamanha sua mediocridade. Certa vez ouvira estrelas e como um tolo passara horas a conversar com elas e entretê-las, hoje vejo que meu atos eram frutos de uma esperança vã, aquele moço que ainda acreditava no amor, e que esse sentimento era belo e puro. Contudo, não mais tão moço, desentranhei a consternadora verdade, aquela que sussurrou aos meus ouvidos: "Ame, tolamente, e assim será, um tolo".
Desde então não enxergo necessidade de cores, o pecado para mim é amar, ao invés de ser amado e não retribuir. Por tempos esperei por aquele que viria resgatar-me desse pensamento insólito, atrevo-me a dizer que sei quem é a pessoa, porém atrevo-me, também, a dizer que nunca a terei para mim. A definição tão astuta de pecado que criei para mim, surpreende-me ao tentar se vingar por tamanha crueldade que cometi a criá-la.
Se permites-me que me atreva mais uma vez, direi que se passares um tempo comigo serás convencido de que posso voltar a ouvir estrelar, esse amor é como um livro primorosamente escrito porém num idioma que não posso ler.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Uma vez.

Seria cafona falar de amor? Poetas que declamaram suas paixões a sete ventos, morreram todos eles amargurados, assim sempre pensei. Meu amor é secreto, é guardado apenas por mim, não há desconfiança de sua origem nem tão pouco dúvidas acerca de sua veracidade. Se não é conhecida sua existência, não há maneiras de questionar a pureza ou a sequer sua realidade. Posso nunca concretizar meu anseios, posso morrer sem nunca ter expressado tal amor, porém não seria menos amargurado que os poetas que declamavam suas paixões para quaisquer uns.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Senilidade.

Soube que ia morrer, soube que ia ficar cego, soube que minhas pernas não mais andariam, soube que o sofrimento estava por vir, de repente me senti tão senil, justo eu que vivi uma juventude áurea, justo eu que corria pelos campos de lírios e colhia flores para minha mãe toda manhã, justo eu que sabia dizer "eu te amo", sábio fora aquele que primeiro falou estas palavras que hoje já não carregam seu sentimento real, justo eu que quis fazer deste viver comum uma experiência maravilhosa. Devereia fazer testamento? Deveria fazer com que as pessoas soubessem, como se já não soubessem, minha verdade e meus sentimentos? Soube que ia morrer numa manhã de verão, o sol entrava na janela do meu quarto e quando me olhei no espelho vi olhos cor de mel, nunca tinha reparado como era bonito o brilho dos meus olhos. Porém no exato momento soube, também, que não tornaria a vê-lo, não sei se digo "pobre de mim" ou se digo "pobre daqueles que ficarão sem mim", poderia soar como uma leve prepotência, mas de algo eu sei, sei que fui feliz, sei que fiz pessoas felizes e sei que apesar de não mais tornar a ver os brilhos dos olhos cor de mel, nas mentes de meus amores ele permanecerá.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Novo amor.

A luz apaga porque já raiou o dia e a fantasia vai voltar pro barracão, outra ilusão desaparece quarta-feia, queira ou não queira terminou o carnaval. Mas não faz mal, não é o fim da batucada e a madrugada vem trazer meu novo amor. Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro, come o couro no terreiro porque o choro começou.
A gente ri, a gente chora e joga fora o que passou. A gente ri, a gente chora e comemora o novo amor.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Verdade, dúvida, ou ambos?

Um gesto exprime inúmeros sentimentos e pensamentos simultaneamente, sei que não filosofei, sei, também, que não inovei, porém sei que expressei a verdade, sim, verdade esta que busco a cada dia. Peguei-me a caminhar na praia e observar as pessoas que passavam e o que fazia, seus comportamentos, confirmei, enfim, minha teoria, ou melhor, nossa teoria, e por que não nossa verdade? Vi uma menininha construir um castelo de areia sozinho, para qualquer, talvez, não haja simbolismo algum em tal gesto, contudo eu enxergo além. A menininha poderia estar fazendo qualquer outra coisa, poderia estar como todas as outras, brincando com suas bonecas loiras, pulando ondas ou imitando personagens, mas esta meniniha estava construindo um castelo, e não apenas isso, estava a fazê-lo sozinha. Eu poderia como escritor, e dono de minha verdade, estragar o prazer de um leitor, o de imaginar, e contar o porquê de aquela meniniha estar construindo um castelo, e sozinha, mas a dúvida é mais sutil, a dúvido nos abre um leque de possibilidades, de opções de sermos o que quisermos, a qualquer momento. Sou regido pela dúvida e não receio estragar meu texto pela repetição abundante da palavra, a certeza perdeu a graça e a dúvida assumiu minha verdade absoluta, ou obsoleta? Dúvida.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Olhos.

Olhos perdidos ao fitar o nada, talvez alguém chame este nada de horizonte, porém aos meus olhos isto é apenas nada. A linha divisora entre oceano e firmamento se esvaiu, vejo apenas uma única coisa, pode me chamar de cego, não seria em totalidade mentira, na verdade estaria beirando a realidade. Estes olhos perdidos buscaram o que não acharam, provavelmente por isso eu mesmo os chame de perdidos, mas permito que os interpretem da forma que quiser, pois por causa de o que todos almejam eles se encontram de tal maneira.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Fazes-me Chorar.

Oh, it's time to let go of everything we used to know
Ideas that strengthen who we've been
It's time to cut ties that won't ever free our minds
From the chains and shackles that they're in

quinta-feira, 19 de março de 2009

Perfume Francês.

Esse perfume francês tem jeitinho brasileiro, brincas comigo, enrolas-me, seduzes-me, deixas-me a desejar sempre mais, porém no momento que a corda parece romper e finalmente atingirei o ápice, escapas. Paras de brincar comigo, sei que teus olhos não são azuis, nem tão pouco teus cabelos loiros, és pretinho como eu e nunca ficas vermelho ao sair em pleno sol de meio dia. À noite bates a minha porta e me chamas para contar prosas. Não sabes que a única prosa que desejo ouvir, e contar, é o quão grande minha vontade de te ter rouba meu tempo e esnoba minha paciência? Saio para rua a procurar um frasco que possa te envolver sem te restringir, sem te sufocar, acho que esse frasco já foi encontrado, apenas não consegues enxergar. Deixas por favor me deleitar de tua doçura, é apenas o que me falta para morrer tranquilo, não desejo te consumir por completo, pois seria minha morte o dia no qual nunca mais poderia te saborear, por favor, paras de brincar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Oscilando Pensamentos de Camin.

À noite meus pensamentos oscilam de acordo com sons e imagens que vejo. Da minha janela olho o oceano, seria mesmo o oceano que vejo? Minha visão detecta uma imensidão escura, poderia sim ser o oceano, mas meu pensamento oscila a pensar que ali há apenas uma grande e imponente nuvem preta de rancores e angústias. Meus pensamentos deprimem a todos, não apenas a todos mas também a mim mesmo. Confesso que meu desejo é me jogar daqui e cair naquela imensidão escura, parece que ela me conhece desde que nasci, parece que esteve comigo em todos os momentos de minha vida, mesmo quando achava que ali felicidade maior não havia e que nunca pensamentos obscuros estragariam aqueles momentos, lá estava aquela tristeza tentando me dominar, porém prazer me trazia, todos aqueles sorrisos e piadas soavam simplesmente falsos diante de meus olhos. Prefiro esse meu oceano escuro de rancores e angústias, a dor é tão mais interessante, os sentimentos ruins são tão mais interessantes, aliás, quem disse que esses sentimentos são ruins? Eu os prefiro àquela chuva de pessoas serelepes que não tiram o maldito sorriso do rosto. Meu sorriso amarelo e melancólico é sincero, é de verdade, e prazer me traz.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Eu já vi tudo.

Mais um dia, mais uma hora, parece que o tic tac do relógio ficou mais alto desde a última semana. Não enxergo mais, contudo eu já vi tudo. Vi o pôr-do-sol, vi a chuva chegar numa tarde de verão e molhar a grama, vi o vento brincar com meus cabelos, vi cachorros rolando na praia. Vi minha vida passar, agora não vejo mais nada, não preciso ver mais nada, eu já vi tudo. A cegueira não é a morte, nem o começo do fim, a andar pelos trilhos da linha férrea aprendo que foi apenas o fim do começo, ainda posso sentir o sol aquecer meu rosto, posso sentir o vento brincar com meus cabelos, posso sentir o cheiro da grama molhada, posso escutar os cachorros latirem, posso viver, não quero morrer.

Literando.

Amar-te e odiar-te é a beleza da antítese que ronda meus pensamentos mais profundos, por mais que brinque de pleonasmos a dizer que te amo e te odeio das mais variadas formas, sempre continou a achar que não passa de eufemismo a forma que me expresso. Na síntese das palavras busco a essência do sentimento, de meus abismos literários retiro as mais puras declarações, meu sorriso amarelo exibe sua brancura em sinceridade ao ver a tinta tocar o papel e brincar de ser poeta, de ser escritor, brincar de ser amante e dizer para todo mundo o quanto amo-te e odeio-te, minha sina pleonástica, e neologística, persiste.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Guarde para a noite seguinte.

Com os olhos fixos na janela, pego-me sentado novamente brincando contigo, Lua, provocas-me o tempo todo ao se despir toda nua, e logo em frente a mim, que não resisto nem a uma chuva. Outra vez mentes para mim, queres bancar o Sol, já não basta roubar um pouco de sua luz, desejas que traia o Sol contigo mesmo. Por um breve momento me senti tentado, mas lembrei que posso ouvir estrelas, apesar de não estar apaixonado converso com elas até quando estou deitado. Lua vadia que todos só notam sua inocência, todos querem estar ao luar e sentir a luz brincar de se esconder nas nuvens com seus olhos, tolos não percebem a falsidade que paira no ar. Invades o espaço do Sol durante o dia, roubas sua luz durante a noite e por pouco não te mantens firme até o outro dia. Conheço tua fama, escondes metade de tua face de mim, mas nada do que estais a esconder seria novidade, sei de tudo, só peço que guardes o que tens para a noite seguinte, vadia Lua.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Origem de Alice.

Alice é o fruto de um amor. Amor o qual não é capaz de desfrutar, o porquê, a resposta para essa incapacidade é tudo o que quer, é o que imagina em seus sonhos, é o que a intriga todos os dias. Alice nasceu da barriga de uma certa Maria, barriga esta fecundada por um certo João. Não, esses não são os nomes de seus pais, também não os foram Romeu e Julieta, seus pais eram apenas dois seres humanos repletos de amor. Quando estamos a falar deste sentimento, meus leitores, não há necessidade de nomes nem de definições, o amor não acomete apenas aos pobres, tão pouco apenas aos ricos, o amor é universal. Contudo nesse universo Alice não foi inclusa, que maldade do destino, pobre garota, se dependesse de mim, eu mesmo a ajudaria, mas meu papel nessa estória é apenas de narrador, de contar a meus leitores os desamores de Alice. A tal Maria conheceu o tal João em uma de suas viagem pelo mundo, Maristela sua mãe não se orgulhava de ter 'uma filha da vida', era assim que chamava a própria filha, não pensem que a tal Maria era uma prostituta, o seu amor era gratuito, ela tinha prazer em amar. Talvez por causa dessa indiferença entre mãe e filha, Alice nunca tenha visto foto alguma de sua mãe em casa. O tal João era, como meus avós diziam, um boêmio, poeta do amor, completamente apaixonado pela vida, João podia não ser abastado como Maria, porém sua riqueza vinha do fundo da alma, vinha de seu coração, seus poemas eram providos de uma doçura magnífica, não houve ser humano a rejeitar a emoção que estes provocavam. Estas duas pessoas estavam ligadas pelo destino, eu sei leitores que pode parecer piegas, mas é a pura verdade.

domingo, 2 de novembro de 2008

Moda Maculina.

Bem, achei um ótimo blog a respeito.
http://marcvisao.blogspot.com