segunda-feira, 25 de julho de 2011

Troca-se felicidades.

Sabe? Ver a felicidade nos olhos dos outros me incomoda. Que pareça egoísmo, que pareça falta de caráter, que pareça maldade, porque, no entanto, não desejo que sejam menos felizes, ou que eu mesmo seja mais feliz, até porque triste não sou. Simplesmente a felicidade nos olhos dos outros me incomoda. Eu poderia categorizar a felicidade em vários níveis, dentro dos quais me encaixo em alguns e outras pessoas se encaixam em outros, não excludentes, mas às vezes eu trocaria minha felicidade pela sua e assim ambos continuaríamos felizes, sendo que na mesma intensidade, porém mais satisfeitos. Eu poderia chamar a minha felicidade de felicidade amargurada, pois a tenho, sendo que nunca foi aquela que procurei, no entanto cá ela está me dando sorrisos segunda-feira pela manhã e lágrimas sexta à noite. Irônico, não? Sua felicidade provavelmente lhe dá um ar de preguiça nas segundas e uma incomensurável vertente de sorrisos nas sextas, mas estaria você satisfeito? Caso não, trocar-la-ia comigo?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Domingo.

Uma folha caía, dava para perceber por mais que a árvore estivesse a um quintal de distância, em meio ao jardim de petúnias de seu vizinho. Um simples fato que teria passado despercebido, mas não naquele dia, um choroso domingo que marcava um ano de solidão. Seriam necessários cem para esquecer? Um ano inteiro havia passado e a ferida continuava aberta e na noite anterior sangrara em vias de hemorragia. Um olhar para trás e começava a lembrar, sua dor de cabeça também poderia ter sido uma dica, na sua cama deitava desnudo um belo rapaz do qual nem o nome lembrava, mas que o recordava do passado. Um outro olhar para frente e a folha já estava prestes a atingir o solo. Folhas caem das árvores, mas aquela manhã de primavera queria brincar de perturbar a sincronia da natureza, assim como um ano atrás sua felicidade foi atirada ao abismo:
- Eu não te amo mais.
- Você disse que sempre me amaria.
- Quando a ti minha vida entreguei eu já receava pelo fim. Sei como o fim é doloroso a ponto de não se querer nem ao menos começar. Agora não te darei flores, nem te darei esperanças, vou te dar apenas um último beijo do qual nunca esquecerás.
- Algum dia você me amará de novo?
- Tenho certeza que sim.
- Então você me dá esperanças?
- Eu te dou certezas.

sábado, 20 de novembro de 2010

O questionário.

E se eu nunca for feliz, nem der mais nenhum sorriso daqui para frente?
E se o que eu vivi até agora não for minha vida, mas a que eu viverei a partir de agora também não for?
E se eu estendi a mão a quem eu não deveria, contudo quem eu maltratei, na verdade, meu bem queria?
E se quando eu olhar para o céu de manhã eu não vir mais o sol, porém aglomerados de nuvens com as quais não seja possível brincar de adivinhar seus formatos?
E se o abraço de minha mãe em meu aniversário não me fizer mais chorar?
E se quando eu chegar em casa meu cachorro não vier mais me acolher emocionado?
E se eu não tiver para quem ligar quando souber da mais nova fofoca?
E se eu nunca souber o que é um abraço de acolhida, porém sempre o de despedida?
E se eu não souber o que é um beijo com amor, ao invés de um beijo com tesão?
E se eu nunca amar, ou melhor...
E se eu nunca for amado?

domingo, 27 de junho de 2010

A minha dor.

Eu tenho a minha dor, ela me pertence, ela me domina e me entorpece, ela não é tua, ela não é dele, sou eu quem fica no apartamento na companhia apenas da solidão e que por ela sou seduzido. Tua dor é capricho, não é nem sequer a razão da consciência que resolveu te retornar, tu agora tens ele em tua cama, sua toalha em teu banheiro. E eu? Eu tenho a minha dor, tenho o apartamento vazio, o corredor silencioso, o chuveiro não mais a chorar. Tu tens tuas saudades, talvez nem saudades, apenas nostalgia, tens uma mão para te acalentar, uma vida para seguires em frente. Eu tenho ainda teu gosto em minha boca e tua respiração ao pé do ouvido, tenho calafrios das lembranças ao tomarmos banho e tenho a minha dor. Tu tens amor, tens uma vida, tens de volta o brilho dos teus olhos e teu fogoso sorriso amarelado, que em outros tempos era suficiente para despertar o meu sorriso amarelado. E eu? Agora eu tenho a minha dor, tenho as lágrimas sofridas nos olhos quando te vejo sorrir e tenho a tristeza iminente de uma tragédia.

sábado, 13 de março de 2010

A partida.

Não quero mais escrever de desamores que não vivi, minha vontade é de constantemente ser enganado por amores que me traem, batem-me e depois fogem. Olhar em faces daqueles que tem coragem de continuar a te encarar mesmo depois de ter te feito de escárnio causa-me repudia. Bater-vos-ia se força ainda me restasse, contudo o mal que me consome não me deixa nem forças para desta cama levantar, parece-me que apodrecerei aqui deitado, desejo aqui perecer até o dia em que a luz do sol não mais venha banhar minhas manhãs. E dessa forma entrego-me a vós, desamores que comigo brincaram, de mim se fortaleceram e depois de mim fizeram a cruz sobre a qual agora vou embora desta vida cruel que já atormentou demais o meu ser.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pensamento de Werther.

Com certeza - visto que somos feitos de tal maneira que comparamos tudo conosco, e daí segue-se que a felicidade ou a desgraça jazem nos objetos com os quais nos relacionamos -, não há nada mais perigoso do que a solidão. A nossa imaginação, levada por natureza a sublevar-se e nutrida pelos fantásticos quadros das poesias, cria uma série de seres cuja superioridade nos esmaga, e quando lançamos o olhar para o mundo real qualquer outro nos parece mais perfeito que nós mesmos. E isso é até bem natural. Sentimos tantas vezes que nos falta alguma coisa, e por vezes parece que o que nos falta um outro possui. Quando isso acontece, a ele concedemos de bom grado tudo aquilo que temos, e ainda por cima um certo bem-estar ideal. E assim imaginamos nós mesmos as perfeições que criam o nosso suplício.
Pelo contrário, quando com toda a nossa fraqueza, com toda a nossa lástima caminhamos decididos e direitos a um fim, sentimos muitas vezes que, mesmo com nossos tombos e deslizes, vamos bem além do que os outros vão à força de suas velas e seus remos... E, ah, disso tenho certeza... O fato de caminhar tão ligeiro, ou até de ultrapassar os que andam conosco, proporciona tanta autoconfiaça!

Goethe.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Trazes flores?

Bates à porta de minha casa a esta hora da noite apenas para dizer: "Eu te amo". Justo agora que a vida se toca, que o passado não se faz mais presente, vens dizer o que em águas passadas era tão valioso para mim. Seria de você um ato de piedade? Creio na beleza das tuas palavras e na sinceridade de teu gesto, mas conheço a intenção no plano de fundo de tuas presentes atitudes, mas para mim tudo soa deveras anacrônico. Agora sentes a melancolia da solidão, sentes o que senti na carne quando a ti meu amor era dedicado, contudo nunca retribuído, o medo da perda te levou a este estado de comiseração. Mas enfim o que é o amor para ti? A convinvência tornou-nos pessoas desconhecidas, esta é uma bela ironia do amor, porém a lascívia de meus sentimentos é recorrente. Tiveste teu tempo de falar, de me tocar, de ser quem eu precisava que foste mesmo contra tua vontade, agora não há mais tempo. Teus atos agora padecem de exímia crueldade, afinal, como chegas na casa de alguém tão tarde sem ao menos ter a educação de trazer flores?

sábado, 3 de outubro de 2009

Nem tudo que escrevo é ficção, nem tudo que escrevo é não-ficção. Cabe a cada um ponderar o que cada qual é.
Ainda bem que ninguém lê isso daqui, e se lê não pode comentar. Mas prefiro deixar claro que não sou uma pessoa infeliz, apenas sou alguém que aprecia falar das situações da vida e expressar os sentimentos, retê-los sempre foi prejudicial a mim.

Escapismo.

Um certo turbilhão de pensamentos passa por minha cabeça, não saber o que quer, não saber o que é, torna-se realmente perturbador em alguns momentos. Anseio por alguém que me conte a verdade e não esconda o que realmente teria para falar. A sinceridade deveria ser uma moeda de ida e volta, nunca faltei com ela, portanto não aprecio quando com ela me faltam. Não possuo receio em dizer de quem gosto, a quem aprecio, não hesito em me expor, de fato. Acho que os tempos atuais não têm sido amigáveis comigo, sinto que tenho oferecido a face à tapa muito mais do que a mim oferecem. Tenho sido paciente para obter resultado a investimentos pessoais que tenho feito já há algum tempo, mas a espera tem se tornado tediosa. Não se sentir amado ou bem quisto já está chegando no limiar do inaceitável. O momento é agora, estou carente de verdade, carente de sinceridade em amores e amizades. Pode parecer dramático, mas esta é a realidade do momento, o estudo tem sido uma forma de escape para esconder o lado pessoal que vem sendo cada vez mais depreciado.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Erotismo diário.

Um pouco de erotismo é sempre bem vindo durante o dia, tenho essa mania de observar tudo aquilo que pode parecer erótico e por mais absurdo que possa parecer, tudo pode causar excitação. Assim como já ouvira antes de certa música: "A ereção não tem hora para chegar, com ou sem emoção, em festa ou particular". Exatamente como diz a música, o erotismo não é inerente a emoção, por isso vejo erotismo em amigos sem a menor hesitação. Silhuetas expostas através de roupas me distraem, meus olhos não mentem, não conseguem se desviar de um certo ponto fixo. Desejo cada um de forma diferente, de maneira especial e pode ser que seja especial em excesso, de modo a perturbar-me a tirar-me o sono. O toque não é o ponto máximo, palavras ditas são mais estimulantes. Quero testar as pessoas e não nego, quero vê-las sem roupa, por pura curiosidade. Ofereço intimidade visando recebê-la de volta, meu erotismo é gratuito e viso apreciá-lo junto a pessoas que me sinto de certa forma ligado. Acredito que não passa de pura experimentação, então não tenhas medo e te entregas, o máximo que pode haver é um constrangimento breve. Mas a amizade e amor, estes, ao contrário do erotismo, de fato não são breves.

Seguirei?

Queria poder dizer isso de verdade.

Não ficção.

Nada pior do que se sentir usado por alguém que considera importante. Pode-se dizer que sou dramático, ou que exagero, mas vejo o que os olhos triviais tentam não enxergar. Sentas a meu lado e ficas calado o tempo todo, dás uma justificativa e logo mais encontras alguém, falas e ages de forma serelepe, anulando, assim a justificativa que me deste. Não deveria eu me sentir preterido? A meu lado dizes não estares bem e não quereres conversar, ao lado de um outro alguém estás entretido e me deixas para lá. Dou de tudo, desde valores à palavras de consolo, ou alegro a qualquer hora que precisas, mas não posso exigir um afago ou nada do tipo. Nunca posso exigir nada, ou seja, seria essa relação unilateral? Começo a ter dúvidas se realmente sou apreciado ou se sou apenas conveniente quando há necessidades.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Seduzir-lhe-ia ou seduzir-lhe-ei? Algo ainda a se questionar, além da transitividade.